Diário Índia

Energia Diksha

a Viagem para o Despertar

Desde que cheguei nesta terra mágica, a Mãe Índia e, principalmente depois de ter iniciado aqui meu retiro espiritual na Oneness University, perdi a noção de tempo e de espaço, mas sei que estamos aqui há quase uma semana. Ontem alguém do grupo comentou que estamos agora no dia sete de fevereiro, terça-feira.

Tudo em Golden City é pura Energia Diksha, a começar com o sol no amanhecer.

Nessa experiência em retiro fomos agraciados ao receber a Energia Diksha diariamente, em vários momentos e de diferentes maneiras, sempre precedendo cada palestra, cada instrução recebida, cada proposta de mergulho interno, cada meditação ou exercício prático, com intenção de que a Divina Presença nos proporcione a necessária abertura e aprofundamento.

É uma profunda experiência de amor e compaixão do Divino por todos nós.

O primeiro aspecto dessa viagem rumo ao despertar surgiu para mim na forma de uma clara constatação. Haja o que houver, faça o que fizer, seja qual for sua linhagem de pensamento filosófico ou de crenças, não há nada que você possa realmente fazer durante o retiro e após iniciado o processo para ajudar, para melhorar ou acelerar seu trabalho interno.

Não há nada que você possa fazer para tornar seu processo mais ou menos intenso, mais ou menos eficiente. Aqui você deve abandonar qualquer tentativa ou intenção de controle. O segredo é a sua completa entrega ao que surgir.

Busque a conexão com seus monges instrutores, esses seres angelicais encarnados que nos assistem na Oneness University, e apenas siga suas instruções deixando que o resto ocorra espontaneamente em você.

Este é o seu momento, é a nova história que sua alma começa a reescrever.

Faça o que fizer, jamais conseguirá transformar a mente. Faça o que fizer esse fazer é e sempre será esforço mental. É a mente buscando fazer algo para atingir a meta.

Aqui abandone os conceitos de tudo o que aprendeu. Só o que perdura é a essência...

Sendo assim, a amorosa súplica de nossos monges instrutores é: não faça nada e não queira fazer nada. Relaxe e deixe-se conduzir. Apenas sinta o que surgir momento a momento.

O mais espetacular aspecto do processo, que me arrebatou definitivamente, é o florescer do nosso coração...  sentir e estabelecer internamente a Presença Divina, seja qual a forma que Ela tenha para você em seu íntimo. Comece a relacionar-se com Ela diretamente como quem se relaciona com um amigo íntimo.

A Presença Divina sempre esteve aqui com você. Só precisa aprender a invocá-la, pois Ela tem esperado para comunicar-se com você durante toda sua vida. A Presença tem dado a você sinais de todas as formas possíveis. Invoque-A e peça tudo o que você precisa.

No mais profundo do coração do homem repousa um eterno tesouro – a Presença. Por isso, quando a conexão com o coração é verdadeira, ele sabe exatamente o que deve pedir ao Divino. É o coração que pede. E em certo aspecto mais sutil, é o próprio Divino em nós suplicando a si mesmo por liberação.

Viver internamente nesta Presença já é em si o próprio estado de liberação, aquele estado que todos buscam a vida inteira. O Divino sempre responderá a você da maneira mais adequada ao seu jeito particular de ser.

Cada um de nós poderá observar isso em nossas vidas. Às vezes os sinais da Presença e suas respostas são muitos sutis para a mente.

Não existe tal coisa que se possa considerar minha mente ou sua mente. Na dimensão relativa da grande matrix em que vivemos o que existe é a mente, um fenômeno coletivo, a mente coletiva que a tudo e a todos afeta a todo instante, ininterruptamente, embora ninguém saiba disso.

Uma das monjas, nossa guia durante o processo, sugeriu ao grupo manter o estado meditativo em mouna (silêncio), caminhando ao ar livre e movimentando o corpo o mais lentamente possível. Eu sentia a brisa, o vento que soprava em meu rosto trazendo o cheiro da Índia. No Campus em Golden City eu sentia o sol e a terra quente. Meus pés caminhavam sem rumo e, vazia de mim mesma, deixei-me levar.

Alguns minutos depois houve um forte lampejo interno, um repentino insight, enquanto eu seguia em meu exercício de lento caminhar como se fosse câmera lenta num filme.

Porque tenho andado tão acelerada na rotina de minha vida interna e externa? O que estou fazendo com minha vida? O que tenho feito comigo mesma? Porque tenho andado tão acelerada em minha rotina diária?

Em meu estado meditativo a resposta surgiu como um relâmpago devastador para a mente: “Faço isso para dar continuidade à sensação de que eu existo”.

“Enquanto a vida corre acelerada dentro e fora de mim, vou preservando a sensação de que eu sou importante e sou fundamental para que as coisas aconteçam. As coisas acontecem dependentes de mim. Eu (a mente) preciso estar sempre aqui e ser fundamental para a grande engrenagem da vida. Eu posso e devo controlar todas as coisas, resolver todas as coisas. Eu posso e devo controlar inclusive o tempo e a forma como as coisas devem acontecer.’

Sendo assim, acelerar interna e externamente preserva em mim a grande ilusão da independência e da separatividade...

Eis a mais séria de todas as ilusões que carrego comigo: a ilusão de que eu auto-existo isoladamente como um ser independente, com uma meta de vida a cumprir, com sucessos a conquistar, com etapas a vencer, karmas individuais a resolver, inclusive as etapas do que seria a minha individual evolução espiritual... Minha individual evolução espiritual...

Durante esse processo na Índia uma seqüência de insights surgiu com lampejos liberadores:
O que há no intervalo imperceptível entre um pensamento e outro?
E a experiência surgiu arrebatadora atraindo-me para o próprio mergulho no vácuo entre os pensamentos: No intervalo entre um pensamento e outro a noção da auto-existência do self ou de um ser separado no universo simplesmente desaparece. O ser está diluído na Presença.

A pessoa, o eu, simplesmente desaparece ali no lapso entre um movimento de onda mental e outro. E naquele momento eu pude experimentar com total claridade o meu estado de não existir.

O que chamamos de pessoa ou eu só aparenta existir enquanto estimulado pela mente através dos papéis que temos que cumprir na constante atividade de lidar com as coisas do mundo, na matrix.

Mergulhada nesse especial estado de consciência meu ser havia se diluído completamente. Só a Presença era em mim. 

Aconteceu nesse momento o descortinar de uma liberadora revelação interna. Ainda no meu estado de ser na Presença, momentaneamente, estando eu na condição de mera testemunha, aconteceu o desfilar de todas as personalidades que transitam pelo meu ser desde o início de minha jornada neste planeta.

Todas as personalidades ali estavam inclusive a boas e a más de atualmente, as obscuras, as controladoras, as de utilidade prática e também aquelas que se acreditam santificadas ou espiritualizadas.
Todas ali! Sem disfarce algum, frente a frente comigo! E para meu maior espanto, ali estavam também inúmeras personalidades que identifiquei como pertencentes a outras épocas do mundo, homens e mulheres.

O espetacular cenário de uma multidão de personalidades permaneceu diante de mim durante um longo tempo que eu não sei precisar. A parte de mim que a tudo assistia silenciou contemplativa, colocando-se como serena espectadora ou testemunha ao receber desapegadamente tudo aquilo que ia se revelando.

Essa experiência teve um desdobramento e uma continuidade espontânea e eu soube finalmente que eu não sou essas personalidades que transitam pelo meu ser através das experiências da vida. As várias personalidades são como vários núcleos ou nós de energia que se fixaram através de situações do passado, em geral situações da infância ou adolescência. 

As personalidades são fenômenos carregados de energia mental. São formas de expressão e de retroalimentação da mente. As personalidades não são minhas e nem suas, elas fazem parte do grande inconsciente coletivo que é a mente.

O que acontece é um processo de identificação das pessoas com essa mente coletiva que nos afeta, a todos, momento a momento. Do mesmo modo que é possível ocorrer a desidentificação. Você começa a despertar internamente qdo inicia um processo de não mais se identificar com as personalidades que controlaram você durante toda uma vida.

É com profunda gratidão ao Divino que recebo essas experiências e coloco-as aos pés de lótus de meu mestre, oferecendo-as como sendo o melhor de mim mesma para a luz. 

A Energia Deeksha nos coloca em condições de vivenciar a mais incrível das experiências internas rumo à desidentificação ou liberação de tudo aquilo que nos condiciona e nos mantém presos à matrix, à mente.

Minha experiência com a Energia Deeksha tem sido assim, arrebatadora, desde o primeiro momento em que tive contacto com ela em janeiro/2005, até culminar com minha decisão de viajar para a índia em busca de um mergulho mais completo nessa experiência.

Tudo o que eu desejava era estar diante daquele que havia canalizado tão magnífica Benção de Liberação para a atual humanidade planetária. Tudo o que eu desejava era estar em sua presença e oferecer-me para a luz. Desejava ouvir suas histórias e olhar seus olhos diretamente. Quando isso aconteceu, prosternada toquei-lhe os pés de lótus e percebi que ele não era apenas o supremo canalizador da Energia Deeksha para o mundo. Ele é a própria Energia Deeksha que se manifestou em forma de homem.  

Você que me ouve agora, receba-me assim no melhor de mim mesma.

Este texto é dedicado a Sri Bhagavan e Sri Amma, meus mestres que vive na Região Sul da Índia, próximo a Chenai de onde ele irradia permanentemente a Pura Energia Cósmica com intenção de realizar o despertar de toda humanidade.

*Golden City, a sagrada Cidade Dourada, refere-se ao complexo dos vários Campus Oneness University construídos por Bhagavan Sri Kalki, na cidade de Varadaiahpalem, Região Sul da Índia, com objetivo de realizar nesta dimensão planetária o sonho de Deus referente ao Despertar da Humanidade para a Era Dourada e a Era da Unidade.

 

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